Um acordo entre Estados Unidos e Irã, anunciado durante a cúpula do G7, trouxe uma frágil calmaria ao Líbano, mas não dissipou as dúvidas sobre o fim dos confrontos entre Israel e o Hezbollah. Segundo a BBC, muitos libaneses permanecem céticos quanto à capacidade do pacto de pôr termo aos combates, que se intensificaram nos últimos meses. A trégua diplomática, mediada por potências ocidentais, não incluiu compromissos formais de desescalada militar na fronteira, deixando em aberto o futuro da região.

No sul do Líbano, milhares de deslocados começaram a retornar às suas casas devastadas, conforme relatado pela Al Jazeera. O movimento ocorre apesar da advertência de Israel de que não encerrará sua ocupação de áreas libanesas, mesmo após o acordo. A presença de tropas israelenses e a ausência de um cessar-fogo negociado mantêm a incerteza sobre a segurança dos civis, muitos dos quais encontraram suas propriedades destruídas ou minadas.

O Hezbollah, por sua vez, condicionou qualquer solução à retirada israelense, reforçando a complexidade do cenário. Enquanto isso, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que o Irã "nunca terá uma arma nuclear" sob o novo pacto, mas também cobrou de Israel "mais responsabilidade" em suas ações no Líbano. A declaração, feita durante a cúpula do G7, não detalhou mecanismos concretos para garantir a estabilidade na região, limitando-se a um tom genérico de contenção.

Analistas apontam que a trégua EUA-Irã pode ter aliviado temporariamente as tensões, mas não resolveu as causas estruturais do conflito. A ausência de um diálogo direto entre Israel e o Hezbollah, somada à persistência de ocupações militares, sugere que a calmaria atual é tão frágil quanto as esperanças de uma paz duradoura no sul do Líbano.