A abertura dos mercados nesta segunda-feira (15) foi marcada por duplo alívio geopolítico: o petróleo despencou mais de 5% e o dólar atingiu a mínima em dez dias após o presidente Donald Trump anunciar, na Truth Social no domingo (14), que o acordo entre os Estados Unidos e o Irã para encerrar o conflito estava concluído. A expectativa, segundo o G1, é de que o memorando seja assinado formalmente na próxima sexta-feira.
Às 9h de segunda, a moeda norte-americana recuava 0,35%, cotada a R$ 5,0443. O movimento já havia começado na sessão anterior: na sexta-feira (12), o dólar fechou com baixa de 0,76%, aos R$ 5,0610, conforme apurou a CNN Brasil. A Exame Invest atribui o alívio cambial à percepção de mercado de menor risco inflacionário decorrente do avanço diplomático.
O principal vetor da queda nas commodities é a perspectiva de reabertura do Estreito de Ormuz, gargalo logístico crítico para o escoamento global de petróleo, conforme destacou a Exame Invest. Com o canal estratégico de volta à operação, o prêmio de risco embutido nos preços da commodity tende a se dissipar com rapidez — o que explica a magnitude da correção registrada em uma única sessão.
Para o Brasil, o cenário é duplamente favorável no curto prazo. Petróleo mais barato alivia pressões sobre a inflação de combustíveis, enquanto um dólar em recuo amplia a margem de manobra na condução da política monetária doméstica. A dinâmica reforça o peso do ambiente externo sobre a estabilidade de preços internos — variável frequentemente eclipsada pelo debate em torno do quadro fiscal local.
A efetividade do entendimento, contudo, dependerá dos termos da assinatura formal e das condições impostas a Teerã — detalhes que os mercados monitorarão antes de precificar o alívio de forma permanente. O Ibovespa iniciaria negociações às 10h, com perspectiva de acompanhar o humor positivo externo.
