Os preços do petróleo oscilaram enquanto investidores aguardavam um acordo entre Estados Unidos e Irã esperado para sexta-feira. O Brent Crude cruzou a barreira de US$ 80 por barril em ambiente de otimismo cauteloso, alimentado pela perspectiva de que o entendimento diplomático poderia resultar na reabertura plena do Estreito de Ormuz, conforme o Fox Business.

O Estreito de Ormuz é rota estratégica para o escoamento global de energia, e qualquer sinalização de normalização em seu acesso tende a comprimir o prêmio de risco geopolítico embutido nas cotações do crude — o que explica a reação imediata dos mercados.

O quadro diplomático, porém, acumulou turbulências. O presidente Donald Trump recuou de relatos que apontavam a existência de um fundo de US$ 300 bilhões como provisão do acordo de paz com o Irã, declarando que os Estados Unidos não fariam tal investimento, segundo o FT Markets. O recuo veio após forte reação bipartidária em Washington, o que evidencia os limites políticos internos que Washington enfrenta ao negociar com Teerã — e que qualquer acordo precisará respeitar para sobreviver ao escrutínio do Congresso.

A declaração mais ambígua, contudo, partiu do próprio Trump: segundo o Investing.com, o presidente afirmou ser "injusto" que o Irã não possua mísseis balísticos enquanto outros países os têm. A frase, proferida em meio às negociações, levanta questões sobre o escopo das concessões que Washington estaria disposta a aceitar em matéria de capacidade militar iraniana — uma variável de alto impacto para a estabilidade regional e, por extensão, para os mercados de energia.

A oscilação dos preços do petróleo reflete essa equação de incerteza: o otimismo com o acordo sustenta as cotações, mas declarações imprevisíveis e recuos de última hora freiam apostas mais agressivas. Com o Brent acima de US$ 80, o mercado precifica progresso nas negociações, sem abrir mão do prêmio de risco que acompanha qualquer processo envolvendo o Irã. A resistência bipartidária ao fundo de US$ 300 bilhões, ao menos, preservou uma linha fiscal — por ora.