Banco aponta que choque nos preços da commodity já aparece nos índices de inflação e tende a complicar o ciclo de afrouxamento monetário

A disparada recente do petróleo no mercado internacional pode gerar um impacto mais amplo e disseminado sobre a inflação brasileira do que o esperado — não se restringindo apenas aos combustíveis. É o que aponta relatório do Itaú BBA divulgado nesta quinta-feira (22).

Segundo o banco, o choque nos preços da commodity tem potencial de adicionar até 1,25 ponto percentual ao IPCA, índice oficial de inflação do país. O documento ressalta que os efeitos já começam a aparecer nos indicadores de preços e tendem a se disseminar para outros segmentos da economia.

A pressão adicional sobre o IPCA coloca o Banco Central em posição delicada: com a inflação mais resistente, o espaço para novas reduções da taxa Selic — atualmente em patamar elevado — fica consideravelmente mais estreito. Para o Itaú BBA, o cenário de cortes futuros nos juros enfrenta agora um obstáculo externo relevante, fora do controle da autoridade monetária brasileira.

O petróleo funciona como insumo transversal na economia: seus preços impactam desde o frete e a logística até a cadeia de alimentos, tornando qualquer choque de oferta global uma variável doméstica de primeira ordem para o IPCA.