As minutas da reunião de política monetária do Federal Reserve (Fed) em maio, divulgadas nesta quarta-feira (8), revelaram uma divisão interna entre os dirigentes do banco central americano. Segundo o documento, "alguns" ou "poucos" membros do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) avaliaram que havia argumentos para uma alta de juros já em junho, em meio a preocupações com a inflação persistentemente elevada e um mercado de trabalho ainda aquecido.

O debate reflete a dificuldade do Fed em calibrar sua política monetária em um cenário de dados econômicos mistos. Enquanto a inflação nos EUA segue acima da meta de 2% — com o índice PCE de abril registrando alta de 2,7% em 12 meses —, o mercado de trabalho mantém resiliência, com a taxa de desemprego em 3,9% em abril e salários crescendo a um ritmo anualizado de 3,9%. As minutas não detalham quantos dirigentes defenderam a alta, mas sinalizam que a discussão sobre o aperto monetário adicional ganhou força.

Apesar da defesa de alguns membros por um movimento mais agressivo, as minutas reforçam que a maioria dos dirigentes prefere manter a taxa de juros inalterada no intervalo atual de 5,25% a 5,50%, patamar em que se encontra desde julho de 2023. A decisão final dependerá dos próximos dados econômicos, especialmente os índices de inflação e emprego a serem divulgados antes da reunião de 11 e 12 de junho. Analistas destacam que o tom das minutas sugere um viés mais hawkish do que o esperado pelo mercado, que precificava cortes de juros ainda em 2024.

O documento também apontou incertezas sobre o ritmo de desaceleração da inflação e os riscos de um aperto monetário excessivo. Dirigentes ressaltaram que a política atual já é restritiva e que os efeitos defasados dos juros elevados ainda não foram totalmente sentidos na economia. A próxima reunião do Fed será acompanhada de perto por investidores, que buscam pistas sobre o timing e a magnitude de eventuais ajustes na taxa básica.