O setor energético brasileiro registra movimentos intensos tanto na oferta de eletricidade quanto no preço dos combustíveis. Pela primeira vez em muito tempo, a conta de luz terá alívio: a Aneel anunciou a manutenção da bandeira tarifária verde para o mês de março. A decisão foi tomada após a análise da demanda de energia elétrica e da produção de energia renovável, além da elevação do volume de chuvas ao longo de fevereiro, o que resultou no aumento do nível dos reservatórios das hidrelétricas.

No campo do suprimento elétrico, o governo federal realizou o maior leilão de energia do ano, contratando 19 GW de energia térmica e hidráulica. O objetivo é abastecer o sistema elétrico do país em momentos de falta de energia, principalmente no início das noites, quando as placas solares param de funcionar e a demanda por energia cresce — volume equivalente a mais de uma Itaipu.

Paralelamente, na tentativa de conter a alta dos preços dos combustíveis, a União propôs que estados e o Distrito Federal zerem temporariamente o ICMS sobre a importação de diesel. A medida, no entanto, encontra resistência: a Abicom, entidade do setor de combustíveis, declarou que as iniciativas anunciadas pelo governo federal para limitar a volatilidade dos preços têm efeito limitado e pontual.

O desequilíbrio no mercado de diesel também é agravado por questões logísticas. A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou que importadores privados de combustíveis estão desviando para outros países navios contratados inicialmente para abastecer o Brasil, o que compromete a segurança do suprimento interno do insumo.