Nos últimos 30 anos, a pecuária bovina e a soja concentraram 47% dos recursos destinados ao custeio do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), segundo análise divulgada pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). O levantamento aponta que, enquanto essas duas commodities absorveram quase metade do crédito disponível, outras culturas e atividades da agricultura familiar receberam menos apoio financeiro.
O Pronaf, principal linha de financiamento para pequenos produtores no Brasil, foi criado para promover a diversificação e a sustentabilidade no campo. No entanto, a predominância de recursos para boi e soja levanta questionamentos sobre a efetividade do programa em fomentar sistemas produtivos mais variados, como hortifrúti, mandioca e agroecologia.
A concentração de crédito em poucas cadeias produtivas pode impactar diretamente a renda e a segurança alimentar dos agricultores familiares. Especialistas destacam que a dependência de commodities expõe os produtores a oscilações de preços no mercado internacional, aumentando a vulnerabilidade econômica.
O estudo reforça a necessidade de políticas públicas que equilibrem o acesso ao crédito, garantindo condições para que a agricultura familiar diversifique sua produção e fortaleça sua autonomia.
