O mercado do boi gordo apresenta um cenário divergente entre o físico e o futuro. No mercado físico, o boi gordo bateu recorde e começou março em alta, impulsionado por uma corrida para exportação à China e por uma oferta limitada de animais. Essa combinação de exportações firmes e restrição de oferta tem sustentado a valorização no segmento físico.
Em contrapartida, o mercado futuro registrou novas baixas na B3 nesta segunda-feira. A pressão no mercado futuro se dá em um contexto de volatilidade global, que coloca o agronegócio brasileiro em rota de colisão, segundo análise do Rabobank. Essa instabilidade afeta diretamente as cotações futuras, diferenciando o comportamento em relação ao mercado físico.
Além da dinâmica das carnes, o cenário de commodities exerce influência direta sobre o mercado agropecuário. A suspensão das exportações de soja pela Cargill trouxe nova pressão sobre as cotações, enquanto o milho e o trigo registram altas influenciadas pelo petróleo. Nesse contexto de pressões cruzadas, o boi gordo ficou estável em certas avaliações de mercado, refletindo a complexidade entre a oferta restrita e as oscilações macroeconômicas.
A volatilidade também é alimentada por fatores geopolíticos. O conflito entre EUA e Irã impacta o agronegócio brasileiro, dada a importância direta do Irã nas relações comerciais do setor. Esse cenário externo contribui para a instabilidade dos prêmios da soja, que sobem no Brasil neste início de semana, e para as baixas registradas no mercado futuro de milho e boi na B3, evidenciando a falta de blindagem do setor agro diante das turbulências globais.
