O Brasil assumiu a liderança mundial em juros reais, mesmo após o Copom reduzir a Selic em 0,25 ponto percentual para 14,25% nesta semana. A decisão, embora um corte nominal, não alterou a alta das expectativas de inflação, que agora são de 3,7% para 2027, segundo o Copom. Com essa projeção, o juro real — calculado como a Selic menos a inflação — permanece em torno de 10%, um patamar considerado atrativo para investidores, segundo analistas.

A manutenção de juros reais altos contrasta com a redução nominal da Selic. A lógica está na elevação das projeções inflacionárias, que anula parte do efeito do corte. Isso ocorre em um cenário de 'Fed duro', onde o dólar sobe e a aversão ao risco global pressiona os mercados locais. O Ibovespa, por exemplo, caiu 0,70% na sessão, refletindo a incerteza causada pela postura mais rígida do Federal Reserve.

Apesar do cenário internacional, a renda fixa no Brasil continua atrativa. A combinação de Selic elevada e inflação controlada (em comparação com outros países) mantém o país à frente no ranking de juros reais. No entanto, a persistência desse patamar sinaliza que o Banco Central ainda enfrenta desafios para conter a inflação, mesmo com a flexibilização recente na política monetária.