O mercado físico do agronegócio tem operado com cautela, reflexo direto do recuo do dólar, que chegou a abrir a semana cotado a R$ 5,02. A moeda americana em queda costuma pressionar as cotações internas das commodities, já que reduz o poder de compra do produto brasileiro no mercado global. Esse cenário mantém a atenção dos produtores firmemente voltada para o comportamento dos preços da soja, do milho e do boi gordo.
Apesar da pressão cambial, as exportações seguem como um fator de sustentação fundamental para evitar descompassos maiores na praça. Na soja, por exemplo, mesmo com o cenário de cautela, a oleaginosa se mantém em alta e já é cotada a R$ 115 no mercado futuro em regiões como Jataí. O movimento demonstra que a demanda externa, com destaque para a China, continua absorvendo a produção e dando piso aos valores.
No segmento de carnes, a arroba do boi gordo também chama a atenção do mercado. O animal mantém os preços firmes e há projeções de novas altas, impulsionadas justamente pelo ritmo forte das exportações e por uma demanda interna aquecida. Esse binômio entre vendas externas robustas e consumo interno ativo tem sido o escudo do pecuarista contra a volatilidade cambial.
Já o milho enfrenta uma dinâmica distinta. Diferente da soja e do boi, o cereal registra queda, segundo apontamento do Cepea, o que exige atenção redobrada dos produtores na hora de comercializar a safra. Enquanto o mercado busca equilíbrio, o olhar do agro continua dividido entre a pressão do câmbio e o amparo das vendas internacionais.
