A fabricante de chips para inteligência artificial Cerebras Systems estreou na bolsa nesta quinta-feira (14) com o maior IPO do ano até agora. A empresa, fundada pelo empreendedor serial Andrew Feldman, viu suas ações dispararem, valorizando seu CEO em US$ 3,2 bilhões. O movimento reflete a demanda crescente por hardware especializado em treinar modelos de IA, um mercado que vem atraindo bilhões em investimentos.
A Cerebras desenvolve processadores gigantes — do tamanho de uma placa de circuito inteira — otimizados para tarefas de IA, como treinamento de grandes modelos de linguagem. Enquanto rivais como Nvidia dominam o setor com GPUs adaptadas, a startup aposta em uma arquitetura diferenciada para acelerar o processamento de dados em data centers. A oferta pública ocorre em um momento em que gigantes como Alphabet intensificam a emissão de dívida para financiar infraestrutura de IA, sinalizando a urgência do setor em escalar capacidades.
Andrew Feldman, que cresceu no campus da Universidade Stanford e já vendeu três empresas antes de fundar a Cerebras, destacou que o IPO permitirá à companhia expandir sua produção e pesquisa. "Nenhuma das minhas experiências anteriores se compara a isso", disse o CEO, sem detalhar planos específicos. A estreia na bolsa também ocorre em meio a uma onda de fusões e aquisições no setor de tecnologia, como a recente compra de participação em uma exchange de criptomoedas pela Hana Bank, mas o foco da Cerebras permanece na corrida pela liderança em chips de IA.
Analistas apontam que o sucesso do IPO da Cerebras pode incentivar outras startups de hardware especializado a seguirem o mesmo caminho, especialmente aquelas focadas em reduzir custos e consumo de energia no treinamento de modelos de IA. A competição por talentos e investimentos no setor segue acirrada, com empresas como Anduril — que dobrou sua valuation para US$ 61 bilhões — também captando recursos para expandir suas operações.
