Pequim concentra os holofotes geopolíticos ao receber, em momentos distintos, os dois principais líderes ocidentais — e sair fortalecida dos dois encontros

O presidente russo Vladimir Putin chegou a Pequim em posição consideravelmente mais fraca do que há mais de quatro anos, quando sua última visita à capital chinesa precedeu o lançamento da invasão à Ucrânia. A deterioração do poder de barganha russo diante da China marca uma mudança significativa no equilíbrio da relação entre os dois países.

Já o presidente norte-americano Donald Trump deixou Pequim entre celebrações e pompa, mas foi duramente criticado em casa por não ter conseguido avançar em nenhum ponto central dos interesses americanos. Entre as falhas apontadas, está a incapacidade de comprometer a China a pressionar o Irã para encerrar a guerra nos termos desejados pelos Estados Unidos. O suporte popular de Trump encontra-se em seu ponto historicamente mais baixo.

O cenário reforça a narrativa de que a China emerge como a grande vencedora da atual conjuntura geopolítica — não pelo confronto direto, mas pela habilidade de manter-se como polo indispensável enquanto seus interlocutores chegam enfraquecidos à mesa.