As importações chinesas de petróleo e gás dos países do Golfo Pérsico despencaram em abril, em meio à crise no Estreito de Ormuz decorrente da guerra entre EUA, Israel e Irã. Diante do cenário, Pequim encontrou na Rússia um amortecedor parcial para sustentar sua economia em expansão.

Segundo dados divulgados pela alfândega chinesa, os embarques russos de petróleo bruto para a China cresceram 11,3% em termos anuais, atingindo cerca de 9 milhões de toneladas apenas no mês de abril.

No entanto, o cenário geopolítico alterou as dinâmicas de mercado. O tradicional desconto oferecido pelo petróleo e gás russo — historicamente um dos principais atrativos para os compradores chineses — vem perdendo fôlego, tornando os embarques progressivamente mais caros, o que coloca em xeque a sustentabilidade dessa dependência energética no longo prazo.

A combinação de oferta do Golfo restrita e encarecimento do produto russo representa um dilema crescente para Pequim na gestão de sua segurança energética.