Uma coalizão de 33 entidades — entre federações empresariais e organizações da sociedade civil — assinou um manifesto propondo uma agenda estruturada de competitividade com metas quantificadas para 2030, segundo a Folha Mercado. A iniciativa é notável menos pelo número de signatários do que pelo incomum esforço de traduzir aspirações em números verificáveis.

As três metas centrais do documento são objetivas: elevar a taxa de investimento ao equivalente a 20% do PIB, reduzir em 25% o chamado "custo Brasil" em relação ao PIB e inserir o país entre as 30 economias mais competitivas do mundo no ranking global. Juntas, formam um diagnóstico implícito do estado atual da economia — com investimento insuficiente, ambiente de negócios oneroso e posição competitiva aquém do potencial.

O ângulo relevante aqui não é o conteúdo do manifesto em si, mas o que ele sinaliza: o setor privado organizado escolheu apresentar uma agenda própria, com métricas e prazo, em vez de aguardar iniciativas do poder público. Trata-se de uma inversão da postura histórica de dependência do empresariado brasileiro em relação ao Estado como indutor do crescimento.

A eficácia de manifestos setoriais, contudo, depende de como são recebidos pelo ambiente político e se as propostas ganham tração legislativa e regulatória concreta. O "custo Brasil" — expressão que agrega encargos tributários, trabalhistas, logísticos e regulatórios — é alvo recorrente de diagnósticos sem que reformas estruturais correspondentes avancem em velocidade compatível. A meta de 25% de redução em relação ao PIB, nesse contexto, é ambiciosa e exigirá detalhamento metodológico para ser monitorada.

O manifesto representa, ao menos, um passo na direção certa: a sociedade civil organizada apresentando uma agenda afirmativa de produtividade, em contraste com a narrativa de expansão do gasto público como motor de desenvolvimento. O mérito das propostas, porém, será julgado pela qualidade das políticas específicas que eventualmente derivarem delas — e por sua capacidade de resistir à atração gravitacional do protecionismo e da intervenção estatal que historicamente capturam iniciativas similares no Brasil.