Um artigo publicado este mês pelo veículo Ordnance Science and Technology reacendeu o debate sobre a utilidade operacional dos mísseis chineses Dongfeng-15B (DF-15B). A publicação levanta a hipótese de que as lições do conflito recente no Irã sugerem que esses armamentos de curto alcance, já considerados envelhecidos, podem ser mais úteis na penetração de defesas antimíssil modernas do que se pensava anteriormente.

A especulação centra-se na capacidade de manobra dos projéteis. De acordo com o texto, assinado sob o pseudônimo Ma Lihua, mísseis equipados com veículos de reentrada manobráveis bicônicos (MRVs) poderiam atingir um efeito de penetração próximo ao de projéteis hipersônicos. A análise propõe, portanto, uma reavaliação do papel tático desses sistemas no cenário atual.

A discussão emerge em um momento de intensa competição estratégica global. Nesta quinta-feira, durante o Fórum Econômico Mundial em Dalian, Zhao Hai, especialista da Academia Chinesa de Ciências Sociais (CASS), alertou sobre os perigos iminentes nas relações entre China e Estados Unidos. Segundo ele, a rivalidade estrutural profunda e as barreiras regulatórias persistentes devem limitar qualquer descongelamento nos laços bilaterais.

Embora a cúpula do mês passado tenha colocado um piso temporário sob a frágil relação sino-americana, o analista adotou um tom cauteloso sobre a trajetória da que é considerada a relação bilateral mais consequente do mundo. O debate em torno da eficácia dos DF-15B se insere nesse contexto mais amplo de tensões e insegurança mútua entre as potências.