O Ibovespa despencou nesta quarta-feira após o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central manter a taxa Selic em 10,5% ao ano e sinalizar que os juros podem ficar mais altos por mais tempo para controlar a inflação. Segundo o Estadão, apenas três ações subiram no pregão, enquanto o índice principal da B3 registrou uma das maiores quedas do ano. A decisão surpreendeu o mercado, que esperava um corte mais agressivo dos juros.
Para o bolso do consumidor, isso significa crédito mais caro e financiamentos com parcelas mais altas. Empréstimos pessoais, financiamentos imobiliários e até o rotativo do cartão de crédito tendem a ficar mais onerosos. A Selic elevada também afeta investimentos de renda fixa, como CDBs e Tesouro Direto, que passam a render mais, mas encarece o custo de captação para empresas e governos.
O BTG Pactual revisou suas projeções e agora espera que a Selic caia apenas uma última vez neste ciclo, encerrando 2026 em 14,25% — bem acima das expectativas anteriores. A inflação mais persistente, impulsionada por custos de insumos e pressões nos preços, é um dos principais motivos para a cautela do Banco Central. Enquanto isso, o Boletim Focus já aponta para uma revisão nas previsões de juros, reforçando o cenário de aperto monetário prolongado.
A decisão do Copom também reflete a preocupação com a autonomia do Banco Central, recentemente reforçada pela aprovação de autonomia financeira no Senado. A medida busca garantir que a instituição tenha mais liberdade para tomar decisões técnicas, sem interferências políticas, mas o mercado ainda avalia os impactos práticos dessa mudança no longo prazo.
