A escalada do conflito no Oriente Médio e a intensificação dos ataques iranianos contra áreas de produção da indústria petrolífera dispararam o preço do petróleo, que se aproximou de US$ 120 o barril do tipo Brent. A alta, que também foi impulsionada por dados do mercado de trabalho nos Estados Unidos, coloca em xeque a segurança do suprimento e a estabilidade dos preços dos combustíveis no Brasil, acionando uma cadeia de respostas do mercado e do governo.
No front regulatório, a Agência Nacional do Petróleo (ANP) determinou que a Petrobras retome os leilões de oferta de gasolina e diesel que haviam sido cancelados no início da semana. A ordem faz parte de um pacote de medidas anunciado nesta quinta-feira para tentar garantir o abastecimento interno diante da pressão nos mercados internacionais.
Para conter o repasse da alta do barril para os postos, o governo avalia aumentar de 30% para 32% o percentual de etanol misturado na gasolina. A estratégia setorial também inclui estender ao biodiesel a isenção de PIS/Cofins já aplicada ao diesel, buscando alívio fiscal na matriz de combustíveis. Paralelamente, o secretário do Tesouro dos Estados Unidos sinalizou a possibilidade de uma nova liberação estratégica de petróleo para tentar manter os preços baixos em meio ao conflito com o Irã.
Enquanto as medidas buscam estabilizar a oferta, o risco de ruptura logística cresce. Devido ao aumento do preço do diesel nos postos, lideranças dos caminhoneiros se reúnem hoje para definir uma possível paralisação nos próximos dias. A ameaça de greve adiciona uma camada crítica de insegurança à cadeia de suprimento num cenário em que o barril já opera próximo aos US$ 120.
