As expectativas de inflação no Brasil estão em patamares preocupantes, segundo as duas medidas que mais importam para o mercado. O Boletim Focus, que captura a mediana das projeções de economistas de bancos, e a enquete do Banco Central mostram que o cenário de queda dos preços exige um custo elevado para a economia, com a perspectiva de juros mais altos no horizonte.
Um fator que contribui para essa pressão inflacionária é o clima. Economistas ouvidos em consulta do Banco Central esperam que o fenômeno El Niño tenha um impacto significativo sobre a inflação neste ano e no próximo. Segundo a enquete, esse efeito climático sobre os preços ainda não foi totalmente incorporado às previsões dos analistas, o que indica que as estimativas atuais podem estar subestimando a alta real.
Para o bolso do consumidor, a combinação é desafiadora: a inflação resistente e o risco de choques climáticos não absorvidos pelas projeções podem exigir que o Banco Central mantenha a política monetária mais apertada por mais tempo. Em termos práticos, isso significa que a queda dos preços não virá de graça, e o custo dessa desinflação deve se refletir em juros mais elevados por um período maior, impactando diretamente o crédito e o orçamento das famílias.
