O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), usou o plenário da Casa para rebater críticas e reclamar das "agressões, ofensas e ataques" que vem sofrendo de "autoridades da República". A fala ocorreu na terça-feira (30), quando o senador classificou como inadequada a forma como alguns temas pendentes de apreciação no Senado têm sido tratados. A principal queixa de Alcolumbre foi contra a alcunha que lhe atribuem: a de ser o "homem das pautas-bomba".

A despeito do descontentamento com os ataques, a postura de Alcolumbre no comando da Casa revela um jogo político de altas consequências. O presidente do Senado tem sinalizado a integrantes da oposição que está disposto a pautar, no ano que vem, o impeachment de ministros do STF. A condição para colocar o tema em votação é clara: trata-se de uma troca em troca do apoio à sua reeleição à presidência da Casa.

A negociação envolvendo o impeachment de ministros da Corte surge como uma moeda de troca direta para consolidar o poder de Alcolumbre no Legislativo. A manobra política demonstra o peso da relação entre o Congresso e o Judiciário, colocando a eventual abertura de processos contra ministros do STF no centro das estratégias de sustentação da liderança senatorial para o próximo mandato.

Em paralelo às articulações sobre o STF, o Senado também avançou em pautas de segurança pública. A Casa aprovou projeto que autoriza a venda e posse de spray de pimenta para mulheres acima de 18 anos como medida de defesa pessoal. O texto estabelece que o aerossol poderá ser utilizado de forma "moderada" para repelir agressão "injusta, atual ou iminente", com a interrupção do uso assim que a ameaça cessar. A proposta agora segue para sanção do presidente Lula (PT).