O mercado de chips está em ebulição, e a inteligência artificial é o grande motor por trás disso. A Micron Technology, a maior fabricante de chips de memória para computadores dos Estados Unidos, viu suas ações dispararem após anunciar uma previsão de vendas trimestral que esmagou as estimativas de Wall Street. A empresa projetou uma receita de aproximadamente 50 bilhões de dólares para o quarto trimestre fiscal, que se estende até agosto, sinalizando que a corrida impulsionada pela IA continua forte.
O impacto dos resultados da Micron se espalhou pelo setor. As ações de fabricantes de semicondutoros também subiram no início dos pregões, com operadores entrando com força no mercado após os números robustos, que evidenciaram como a inteligência artificial está impulsionando um rápido crescimento de lucros no setor.
No entanto, a fome da IA por componentes também gera efeitos colaterais e preocupações. A Aumovio, fornecedora alemã de autopeças, está enfrentando negociações difíceis para garantir chips de memória para o próximo ano. Segundo a diretora financeira da empresa, Jutta Doenges, as empresas de inteligência artificial estão consumindo os suprimentos desses componentes cruciais, dificultando o acesso por outras indústrias.
Além do aperto no suprimento, a valorização das empresas de tecnologia já levanta questionamentos sobre a sustentabilidade desse ciclo. Sebastian Raedler, chefe da estratégia de ações europeias do Bank of America, expressou preocupação de que a alta do setor tecnológico esteja exagerada. Para o analista, o cenário levanta uma questão crucial sobre quem arcará com os gastos de capital que estão, na prática, alimentando a enorme demanda que beneficia a Micron hoje.
