A curva de juros futuros fechou em forte baixa nesta sexta-feira (10), com recuos de até 20 pontos-base em diversos vencimentos. O movimento foi impulsionado pela divulgação do IPCA de junho abaixo das expectativas, reforçando o cenário de afrouxamento monetário já no próximo mês. Analistas destacam que o mercado agora precifica com maior convicção o início do ciclo de cortes da Selic em agosto.
A taxa do Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027, referência de curtíssimo prazo, caiu 9 pontos-base, encerrando o dia em patamares mais baixos. Os contratos com vencimentos intermediários também acompanharam a tendência, refletindo a reprecificação das apostas para a trajetória da taxa básica. Segundo operadores, a surpresa baixista no índice de inflação dissipou parte das incertezas que vinham pressionando os ativos locais.
O IPCA de junho registrou variação inferior ao consenso, sinalizando uma desaceleração mais consistente dos preços. Com isso, as projeções para a Selic em 2024 passaram a incorporar cortes mais agressivos, o que contribuiu para a queda generalizada das taxas. A expectativa de um ambiente de juros menores já começa a reverberar em outros segmentos do mercado, como renda fixa e câmbio.
Especialistas alertam, no entanto, que o cenário ainda depende da evolução dos dados econômicos e do compromisso do Banco Central com a meta de inflação. A volatilidade pode retornar caso novos indicadores surpreendam ou haja ruídos na comunicação da autoridade monetária.
