O dólar atingiu R$ 5,20 no Brasil, registrando o maior nível desde março. No cenário global, a moeda americana também disparou e chegou ao patamar mais alto em 13 meses, com o índice DXY alcançando sua maior cotação desde maio de 2025. Para o bolso do consumidor, a alta prolongada da moeda encarece importações e pressiona os preços internos, em um momento em que o mercado já monitora a divulgação do IPCA-15 de junho pelo IBGE.

A escalada do câmbio é puxada por um combo de fatores externos e internos. Nos Estados Unidos, o setor de tecnologia sofre com vendas e há uma forte expectativa de alta dos juros pelo Fed (banco central americano). No Brasil, a perspectiva de que a Selic permaneça alta por mais tempo muda as regras do jogo para quem busca crédito ou investimentos, levando investidores a buscar proteção e retorno em alternativas do crédito privado, como FIDCs, debêntures, CRIs e CRAs.

Além do câmbio e dos juros, o mercado de ações sente o peso do cenário. O Ibovespa perde fôlego com o tombo das ações da Petrobras, reflexo da queda do petróleo, e também sofre com a pressão sobre Vale. As bolsas de Nova York encerraram o pregão de forma mista, com quedas nos setores de tecnologia e energia.

Para o investidor, o momento exige atenção redobrada à política monetária e aos indicadores de confiança do consumidor. Enquanto o cenário geopolítico e a inflação ditam o ritmo, a trégua entre EUA e Irã, por exemplo, já reduz a demanda por ativos considerados proteção, como o ouro, que mira os US$ 4 mil por onça, mas sofre pressão com a alta dos juros globais.