O dólar canadense (CAD) enfrenta pressão renovada nesta quarta-feira, com o par USD/CAD negociado em torno de 1,3760 durante a sessão asiática — acumulando alta pelo segundo dia consecutivo —, reflexo de dois vetores simultâneos: a leve queda nos preços do petróleo e a força persistente do dólar americano.

O analista Michael Pfister, do Commerzbank, chama atenção para o dado de inflação canadense, que surpreendeu negativamente nas medidas de núcleo, mantendo-se próximo de 2%. Segundo ele, dois fatores estruturais explicam o comportamento benigno dos preços: a posição do Canadá como exportador líquido de energia e um mercado de trabalho enfraquecido. Diante disso, Pfister coloca em xeque as expectativas do mercado, que precificam dois aumentos de juros pelo Banco do Canadá (BoC) até o fim do ano.

No cenário externo, a analista Thu Lan Nguyen, também do Commerzbank, observa que os mercados globais caminham para um ambiente de choque inflacionário duradouro, alimentado pelo conflito no Oriente Médio e por expectativas de inflação mais elevadas nos Estados Unidos — o que sustenta o dólar americano e amplifica a pressão sobre moedas de economias exportadoras de commodities, como o Canadá.