O dólar fechou em alta de mais de 1% nesta quarta-feira (3), atingindo R$ 5,06, enquanto o Ibovespa despencou 2,22%, perdendo 3,8 mil pontos. A aversão a risco global foi o principal motor da turbulência, impulsionada pelo impasse nas negociações entre Estados Unidos e Irã no Oriente Médio e por novas ameaças tarifárias do governo Trump. O cenário elevou o temor de choques inflacionários e de juros mais altos por um período prolongado.

Wall Street também sentiu o impacto, encerrando o pregão em queda após uma sequência de recordes. A alta nos preços do petróleo, ligada ao conflito no Oriente Médio, reforçou preocupações com inflação, como destacado no Livro Bege do Federal Reserve (Fed). "Os distritos observaram que os custos relacionados à energia foram o principal fator de pressão inflacionária", apontou o documento.

A presidente do Fed de Dallas, Lorie Logan, alertou que a inflação nos EUA está demorando mais do que o esperado para voltar à meta de 2%. Segundo ela, o cenário pode exigir uma política monetária ainda mais dura, sinalizando que os juros podem permanecer elevados por mais tempo. No Brasil, a combinação de dólar em alta e queda da bolsa reflete a preocupação dos investidores com o ambiente global.

Para o bolso do brasileiro, a alta do dólar pode pressionar preços de produtos importados, como eletrônicos e combustíveis, enquanto juros mais altos nos EUA tendem a encarecer o crédito no Brasil. A incerteza geopolítica e as ameaças tarifárias adicionam um risco extra para a economia, podendo adiar eventuais cortes de juros no país.