O dólar operou em forte alta nesta quinta-feira (18), avançando mais de 1% e superando o patamar de R$ 5,16 pela primeira vez desde fevereiro. Por volta das 12h, a moeda norte-americana era cotada a R$ 5,169 na venda, registrando valorização de 1,20%. O movimento de disparo da divisa ocorre em reação direta às recentes decisões de política monetária tomadas pelo Federal Reserve (Fed), nos Estados Unidos, e pelo Comitê de Política Monetária (Copom), no Brasil.
No cenário doméstico, o Copom decidiu reduzir a taxa básica de juros (Selic) de 14,50% para 14,25% ao ano, marcando o terceiro corte consecutivo. Apesar da redução, a curva de juros futuros reagiu com volatilidade, registrando altas de até 30 pontos-base nos vértices longos. Analistas apontam que o mercado opera com cautela, interpretando os comunicados do banco central em um ambiente descrito pelo diretor Gabriel Galípolo como propício a "campeonatos de interpretação de texto", onde a clareza na comunicação se torna crucial.
Instituições financeiras mantêm projeções conservadoras diante do cenário. O UBS BB, por exemplo, avalia que o Banco Central deve promover mais dois cortes de 0,25 ponto percentual na Selic nas próximas reuniões. Enquanto isso, o mercado de câmbio segue sensível aos fluxos externos e aos preços de commodities, refletindo a tensão entre a normalização dos juros locais e o comportamento da moeda americana no exterior.
