O dólar disparou a R$ 5,07 e o Ibovespa tombou mais de 2% nesta quarta-feira (3), puxados pela decisão dos Estados Unidos de impor uma tarifa adicional de 25% sobre exportações brasileiras. A medida, anunciada pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR), reacendeu tensões comerciais e levou investidores a fugirem de ativos de risco no Brasil. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, não descartou uma viagem aos EUA para negociar, mas o mercado já precifica os efeitos no câmbio e nos juros.

A alta do dólar encarece produtos importados, como eletrônicos e combustíveis, e pode pressionar a inflação — mesmo com o governo projetando IPCA abaixo de 5% até o fim do mandato. Para quem tem dívidas em dólar ou viaja para o exterior, o impacto é direto: a moeda americana mais cara aumenta o custo dessas operações. Já os investidores sentem o baque: títulos do Tesouro Direto, como os indexados ao IPCA+, operam com taxas mais altas, refletindo a aversão ao risco.

A XP Investimentos revisou sua projeção para a Selic em 2026, elevando-a de 13,75% para 14%, citando o cenário global de inflação e a pressão sobre os bancos centrais. No Brasil, juros mais altos significam crédito mais caro para empresas e consumidores, freando o consumo e os investimentos. A combinação de dólar em alta e juros elevados pode desacelerar a economia, afetando desde o preço do pãozinho até o emprego.

Enquanto o governo tenta conter os danos, o mercado segue atento às negociações. Se a tarifa dos EUA se concretizar, os efeitos podem ser duradouros: exportadores brasileiros perderão competitividade, e a balança comercial sentirá o peso. Para o bolso do brasileiro, a conta já começou a chegar.