O tom mais duro do Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos, tem reescrito as regras do jogo nos mercados globais e traz impactos diretos para o bolso do investidor. Com o mercado reagindo às apostas de alta nos juros americanos, o dólar ganha força e pressiona ativos considerados refúgio. O ouro, por exemplo, caminha para a terceira semana seguida de perdas, enquanto o iene japonês recuou ao menor nível em décadas, mesmo após uma intervenção bilionária e um recente aumento de juros no Japão.
A dinâmica não é simples. Embora a incerteza geopolítica — marcada pelo adiamento de negociações entre EUA e Irã — geralmente valorize o ouro como ativo seguro, a pressão de uma política monetária mais apertada nos EUA e o dólar forte têm falado mais alto, dominando o cenário e derrubando o metal. Esse mesmo cenário de incerteza internacional e a valorização do dólar explicam a nova pressão sobre o real, que sofre com o refluxo global.
Nesta sexta-feira (19), a baixa liquidez domina os mercados, reflexo do feriado do Festival do Barco-Dragão na China e do Juneteenth nos EUA, que mantêm Wall Street fechada. Apesar do cenário externo parado, o Ibovespa em dólar consegue avançar, enquanto investidores monitoram dados como as vendas no varejo do Reino Unido.
No front interno, a apertada política monetária global encontra paralelo no aperto fiscal brasileiro. O espaço no Orçamento desafia os pedidos dos ministérios para o Plano Safra, com a equipe econômica apontando dificuldade para acomodar propostas bilionárias. O governo trabalha sem considerar, por ora, medidas para dívidas do agronegócio e seguro rural que ainda estão em discussão no Congresso. Paralelamente, o mercado segue atento às investigações sobre o ecossistema do Banco Master e da antiga Reag, monitorando estruturas financeiras expostas ao grupo, como a sociedade de crédito Qista, que recebeu um aporte de R$ 790 milhões às vésperas da liquidação.
