Washington avalia recorrer ao Defense Production Act — legislação de emergência de base industrial — para compelir seguradoras americanas a oferecer cobertura a navios que atravessem o Estreito de Hormuz, segundo informações da ForexLive. A medida ainda está na fase de "cogitação" (floated), mas sinaliza o grau de pressão que o bloqueio logístico exerce sobre a política energética americana.

O diagnóstico do mercado é direto: quase 500 embarcações, das quais 220 são petroleiros, permanecem represadas fora do Hormuz. Esse gargalo é apontado como o principal fator que mantém os preços do petróleo acima dos patamares anteriores ao conflito — e isso a despeito da assinatura de um memorando de entendimento (MOU) que, em tese, deveria sinalizar distensão.

Em paralelo, discute-se um esquema de escolta naval americana mediante cobrança de taxa. Se implementado, o mecanismo introduziria uma nova camada de custo para o trânsito pelo estreito. Segundo a análise da ForexLive, parte desse custo tenderia a ser repassada às tarifas de frete e, por consequência, aos diferenciais do petróleo bruto — ou seja, o remédio para destravar o fornecimento carrega o risco de encarecer, ainda que parcialmente, o próprio produto que se quer liberar.

O ponto central para os mercados é a magnitude do estoque represado: uma solução crível de seguro ou de escolta naval, caso viabilizada, aceleraria o retorno ao mercado de oferta que hoje está artificialmente suprimida. A velocidade e a credibilidade dessa solução determinam o ritmo de normalização dos preços.

Do ponto de vista fiscal e regulatório, o uso do Defense Production Act para forçar cobertura privada de seguradoras levanta questões sobre os limites da intervenção estatal em mercados de risco — um modelo que transfere ao setor privado um ônus geopolítico de origem governamental, sem necessariamente compensar o risco precificado. A Europa, segundo a fonte, estaria sendo envolvida em um esforço paralelo, embora os detalhes dessa articulação não estejam disponíveis nas informações obtidas.