A libra esterlina registrou forte queda na sessão norte-americana desta quarta-feira, comprimida por vetores simultâneos: dados domésticos decepcionantes no Reino Unido e uma sinalização mais dura vinda de Washington. O par GBP/USD recuou em direção à faixa de 1,3400 antes de colapsar durante a sessão americana, conforme reportado pelo FXStreet.

O gatilho imediato foi a divulgação do dot-plot pelo Federal Reserve. O banco central manteve os juros inalterados, mas o gráfico de projeções revelou uma instituição dividida: dos 18 pontos registrados, metade aponta para taxas mais elevadas à frente. A leitura hawkish do documento impulsionou o dólar, que já vinha sendo sustentado por sólidas vendas no varejo americanas divulgadas mais cedo no mesmo dia.

A reunião marcou a estreia de Kevin Warsh no comando do Fed — a primeira decisão de política monetária sob sua liderança. O dot-plot dividido foi recebido pelo mercado como confirmação de um viés mais rígido na condução dos juros, ainda que a taxa de referência permaneça no nível atual. A guerra do Irã, que vem alimentando a pressão inflacionária nos EUA, foi citada como fator de fundo que justifica a postura cautelosa do banco central americano, segundo o FXStreet.

Do lado britânico, o CPI mais fraco do que o esperado foi o primeiro choque do dia sobre a libra. A inflação doméstica arrefecendo forçou investidores a rever suas projeções para a trajetória do Banco da Inglaterra, retirando prêmio das apostas hawkish sobre o BoE. O movimento de saída da libra estava em curso antes mesmo do anúncio do Fed, o que agravou a extensão da queda quando o dot-plot americano confirmou o ambiente de dólar forte.

No mercado de ouro, o XAU/USD avançou 0,77% na sessão, refletindo a cautela dos operadores enquanto aguardavam a decisão do banco central americano. O resultado do dia combina dólar fortalecido, libra pressionada por dois flancos e uma sinalização clara de que o Fed de Warsh tem inclinação para manter os juros em patamar elevado por mais tempo — custo que recairá sobre quem apostou no afrouxamento monetário americano no curto prazo.