O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou, durante sua estadia nos Estados Unidos, que está cumprindo um "papel de Lula" ao conversar com interlocutores para influenciar o governo de Donald Trump a não aplicar tarifas sobre produtos brasileiros. A declaração foi feita enquanto o parlamentar adiou seu retorno ao Brasil em um dia para participar de reuniões focadas na disputa comercial entre os dois países, que completa um ano desde o anúncio inicial de sobretaxas pelo presidente americano.
A atuação do senador e sua comparação com o chefe do Executivo geraram reações imediatas no cenário político nacional. O pré-candidato Ronaldo Caiado criticou Flávio Bolsonaro, afirmando que ele não deve ser candidato e reprovando a gestão econômica e as decisões do ex-presidente Jair Bolsonaro durante a pandemia. Em contrapartida, a líder do governo no Senado, Teresa Cristina, defendeu o presidente da Casa, Davi Alcolumbre, de ataques da ala do PT, classificando chamamentos de "inimigo do povo" como ofensas à democracia, num contexto de tensas trocas de acusações sobre as articulações em Brasília e no exterior.
O embate ocorre em meio a esforços do governo brasileiro para evitar que novas tarifas propostas pelos Estados Unidos entrem em vigor. Enquanto Flávio Bolsonaro destaca suas articulações diretas como fundamentais para proteger a economia nacional, as críticas de opositores e a defesa de aliados delineiam um conflito político em torno da legitimidade e dos métodos das missões diplomáticas paralelas realizadas por membros do Legislativo.
