Boletim do Banco Central mostra mercado financeiro cada vez menos otimista com queda de juros em 2026, com inflação resistente e tensões externas no radar

O Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (18) pelo Banco Central trouxe mais um sinal de alerta para o cenário econômico brasileiro: o mercado financeiro voltou a elevar suas projeções tanto para a inflação quanto para os juros, consolidando uma sequência de revisões negativas que já dura meses.

Selic mais alta por mais tempo

A mediana das expectativas para a taxa Selic ao fim de 2026 subiu para 13,25% ao ano, segundo o levantamento realizado com mais de 100 instituições financeiras. O movimento reflete a percepção crescente de que o Banco Central terá menos espaço para promover cortes de juros no horizonte relevante da política monetária.

Inflação não recua

A projeção para o IPCA em 2026 também avançou, agora situada em 4,92%, marcando a décima semana consecutiva de alta nas estimativas. A persistência inflacionária tem sido o principal fator a pressionar as expectativas do mercado, que segue revendo os números sem sinais claros de reversão no curto prazo.

Fatores externos agravam o quadro

Entre os elementos que alimentam o cenário de pressão, analistas destacam a guerra no Oriente Médio e a disparada do preço do petróleo como vetores de risco externo que podem contaminar ainda mais as expectativas domésticas de inflação, dado o impacto direto dos combustíveis sobre os índices de preços.

O que esperar

O acúmulo de revisões negativas — dez semanas seguidas de piora nas projeções do IPCA — restringe o espaço de manobra do Copom e sinaliza que o ciclo de afrouxamento monetário, se vier, deve ser mais lento e em menor magnitude do que se imaginava no início do ano. O mercado agora precifica um ambiente de juros elevados por um período mais prolongado.