O Goldman Sachs reduziu sua projeção para o Brent a US$ 80 por barril em 2026 e US$ 75 em 2027, atribuindo a mudança ao avanço do acordo no Estreito de Ormuz — via por onde transitam volumes expressivos das exportações de petróleo do Golfo Pérsico. A revisão, reportada pelo ForexLive, é a segunda do banco em apenas uma semana. O próprio relatório confere peso específico a essa sequência: trata-se de um sinal direcional, não de uma reação pontual de mercado.
O motor mecânico do corte foi a antecipação da normalização das exportações da região em um mês: o banco passou a projetar que o fluxo regular de embarques se restabeleça até o fim de julho, ante expectativa anterior de fim de agosto. Por trás dessa antecipação está uma leitura mais otimista do Goldman sobre o ritmo de remoção de minas, a reativação de seguros marítimos e a logística de navegação na região — cenário mais favorável do que a maior parte dos comentários de mercado tem sugerido, conforme apontado pelo ForexLive.
O relatório do Goldman, citado pelo MarketWatch, sintetiza o momento com a formulação "the peace deal is in the price" — o acordo de paz já está precificado. O banco reconhece, no entanto, que os riscos são bidirecionais: um acordo que não se concretize pode reverter parte das projeções, ao passo que uma implementação mais rápida do que o esperado pressionaria os preços ainda mais para baixo. Esse equilíbrio de riscos reflete a incerteza estrutural inerente a qualquer negociação geopolítica desta magnitude.
O ForexLive destaca que o Brent a US$ 80 no quarto trimestre de 2026 ainda representaria um prêmio significativo em relação aos níveis atuais — indicativo de que o banco não descarta a resiliência do preço mesmo diante de aumento de oferta. O pessimismo de curto prazo coexiste com cautela de médio prazo.
Do ponto de vista macroeconômico, o MarketWatch acrescenta um dado relevante ao contexto: a economia global se ajustou "com muita flexibilidade" ao maior choque de produção de petróleo da história. Esse histórico de adaptabilidade integra o racional para projeções mais baixas — se o mercado absorveu choques maiores no passado, a normalização do Ormuz pode ser digerida sem ruptura sistêmica.
O petróleo, por sua vez, registrou recuperação atrelada às dúvidas sobre a concretização do acordo entre EUA e Irã e sobre a restauração do fornecimento, segundo o Investing.com — oscilação que ilustra a sensibilidade do mercado spot a qualquer ruído no processo. Enquanto o Goldman aposta na antecipação da normalização, o mercado ainda precifica incerteza.
