O banco de investimentos Goldman Sachs revisou para baixo sua estimativa de probabilidade de recessão nos Estados Unidos nos próximos 12 meses, de 30% para 25%. A revisão foi comunicada pelo economista-chefe Jan Hatzius, que apontou a resiliência da atividade econômica americana e o alívio nas condições financeiras como principais fatores da mudança, mesmo diante do fechamento do Estreito de Hormuz.
Três fatores sustentam o cenário menos pessimista
Segundo o Goldman Sachs, três elementos explicam por que o impacto do fechamento do Estreito de Hormuz sobre o crescimento americano ficou abaixo do temido pelo mercado:
- Alta do petróleo menor do que o esperado — os preços subiram, mas em magnitude inferior às projeções iniciais de cenário adverso;
- Destruição de demanda absorvendo parte do choque físico — a desaceleração no consumo de energia atuou como válvula de escape, compensando parcialmente a restrição de oferta;
- Condições financeiras de suporte — as condições financeiras recuaram para níveis abaixo dos registrados antes do início do conflito, sinalizando que os mercados digeriu o choque sem deterioração estrutural.
Contexto de mercado
O Estreito de Hormuz é uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo, respondendo por parcela significativa do trânsito global de petróleo e gás. Seu fechamento gerou preocupações imediatas sobre inflação de energia e pressão sobre o crescimento, cenário que — ao menos até o momento — não se materializou na intensidade prevista pelos modelos de risco.
A revisão do Goldman reforça a leitura de que, por ora, a economia americana demonstra capacidade de absorver o choque externo sem escorregar para um ciclo recessivo.
