Hillary Clinton, ex-secretária de Estado e ex-candidata presidencial democrata, proferiu sua crítica mais direta até agora ao ex-presidente Joe Biden: a decisão de buscar um segundo mandato foi "um erro terrível" que entregou a presidência aos republicanos em 2024.
Falando no 92nd Street Y, Clinton foi categórica ao sustentar que uma disputa primária aberta — em vez da passagem de bastão tardia e tumultuada que ocorreu em 2024 — teria produzido um candidato capaz de derrotar Donald Trump. "O vencedor de uma primária genuína teria batido Donald Trump", afirmou, segundo o The Guardian.
A declaração é politicamente significativa porque Clinton, ela própria vítima de uma derrota eleitoral para Trump em 2016, confere peso institucional a uma narrativa que o establishment democrata relutou em abraçar publicamente: a de que Biden, ao insistir na candidatura apesar dos sinais de desgaste, comprometeu as chances do partido antes mesmo da campanha começar de fato.
Clinton acrescentou que o episódio pode ter deixado marcas permanentes no legado histórico de Biden — avaliação que aponta para um custo reputacional de longo prazo, não apenas eleitoral. Para uma legenda que ainda processa a derrota, a fala de uma de suas figuras mais proeminentes funciona como um acerto de contas tardio, mas audível.
O episódio expõe uma tensão estrutural nos partidos de massas contemporâneos: a dificuldade de substituir titulares incumbentes mesmo quando sinais de vulnerabilidade são evidentes. A ausência de um processo primário competitivo em 2024 — consequência direta da decisão de Biden de permanecer na corrida por meses — é agora apontada, pela própria Clinton, como a variável determinante do resultado.
