Fornecedores chineses de semicondutores liderados pela Huawei Technologies e pela Cambricon Technologies estão prestes a consolidar o domínio no mercado de servidores de inteligência artificial do país. De acordo com dados da TrendForce, essas empresas, ao lado de gigantes tecnológicas que desenvolvem seus próprios chips, devem capturar quase 80 por cento do mercado interno de servidores de IA ainda este ano, aumentando a pressão sobre concorrentes globais.

O avanço das empresas locais ocorre em um cenário marcado por tensões geopolíticas contínuas, que continuam a erodir a posição de fabricantes estrangeiros. A previsão é de que a participação combinada de empresas como a Nvidia e a Advanced Micro Devices no mercado chinês de servidores de IA caia para 21 por cento em 2026, refletindo o impacto das restrições e da competição.

Paralelamente ao crescimento no setor de servidores, a China busca alternativas tecnológicas para contornar as restrições dos Estados Unidos ao seu desenvolvimento de inteligência artificial. Em junho, o país inaugurou um laboratório de computação óptica de alto nível em Xangai, após uma série de avanços na área. A computação óptica e a fotônica de próxima geração foram transformadas em prioridades nacionais há uma década.

Como parte desse esforço estratégico, a China iniciou no ano passado a produção limitada de chips fotônicos projetados localmente. Diferente dos chips tradicionais de silício, esses componentes transmitem e processam dados usando fótons — partículas de luz geradas por lasers —, o que levanta a questão sobre se essa tecnologia pode permitir que Pequim supere Washington no campo da IA.