O iene japonês atingiu nesta semana sua menor cotação em quatro décadas, negociado acima de 160 unidades por dólar, segundo dados compilados pela Exame Invest. A depreciação acelerada ocorre menos de dois meses após autoridades japonesas terem realizado rodadas recordes de intervenção cambial entre abril e maio, injetando cerca de US$ 60 bilhões no mercado para conter a queda da moeda.
Analistas destacam que a fraqueza persistente do iene reflete divergências nas políticas monetárias entre o Banco do Japão (BoJ) e outros grandes bancos centrais, como o Federal Reserve dos EUA. Enquanto o BoJ mantém taxas de juros ultrabaixas para estimular a economia, o Fed sinaliza cortes graduais, reduzindo o diferencial de rendimento que atraía investidores para ativos em dólar.
A desvalorização eleva os custos de importação de energia e alimentos, pressionando ainda mais a inflação no Japão, que já supera a meta de 2% do BoJ. Empresas dependentes de insumos estrangeiros, como montadoras e indústrias químicas, enfrentam margens comprimidas, enquanto exportadores se beneficiam de receitas em moeda forte.
O cenário reforça expectativas de novas intervenções do governo japonês, embora especialistas alertem que medidas pontuais têm efeito limitado sem uma mudança estrutural na política monetária. A moeda acumula queda de mais de 12% no ano, uma das piores performances entre as principais divisas globais.
