O Banco Central informou nesta quarta-feira (1º) que a inadimplência no crédito consignado para trabalhadores do setor privado subiu 0,4 ponto percentual em maio, atingindo a marca de 7,9%. O dado revela uma piora na capacidade de pagamento dos trabalhadores que utilizam essa modalidade de empréstimo, que tem as parcelas descontadas diretamente da folha de pagamento.
Para o bolso do consumidor, a alta da inadimplência reflete o aperto financeiro das famílias, que passam a ter dificuldade em arcar com as parcelas fixas comprometidas na renda mensal. Esse cenário de calote é acompanhado de perto pelo mercado e pela autoridade monetária, pois influencia a avaliação de risco das instituições financeiras e pode pressionar as condições de crédito, como a cobrança de juros mais elevados para novos contratos, compensando o risco de inadimplência.
Nesta mesma semana, a linha do consignado privado passou a contar com a garantia do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço). A medida, expandida durante a gestão atual, busca oferecer uma segurança maior aos bancos, usando o saldo do fundo como garantia adicional para as operações.
Do ponto de vista da política monetária e do sistema financeiro, a garantia do FGTS funciona como um mecanismo para reduzir o risco de perda para os bancos em caso de não pagamento. Na prática, se o trabalhador ficar inadimplente, o banco pode abater o valor da dívida do saldo do FGTS. Apesar de a nova regra ter sido estabelecida na mesma semana do levantamento, os dados de maio capturam o momento anterior ao efetivo impacto dessa garantia sobre o comportamento dos pagamentos.
