A inflação anual do Brasil desacelerou para 4,64% em junho, ficando abaixo de todas as estimativas de economistas ouvidos pela Bloomberg, que projetavam uma mediana de 4,8%. Os preços ao consumidor subiram apenas 0,16% no mês, o ritmo mensal mais lento desde outubro. Esse resultado coloca o índice dentro do teto da meta de inflação do Banco Central, que é de 4,5% para 2024 (com centro em 3,0%), contrariando análises anteriores que indicavam superação do limite tolerado.
O dado surpresa reforça o argumento para novos cortes na taxa básica de juros pela autoridade monetária nacional, uma vez que a desaceleração dos preços alivia a pressão sobre a política monetária. A reação imediata dos mercados financeiros foi positiva: o Ibovespa subiu mais de 2%, atingindo 176.767 pontos, enquanto o dólar operou em queda, cotado a aproximadamente R$ 5,11, refletindo o otimismo dos investidores com o ambiente doméstico.
Enquanto o Brasil caminha para um possível afrouxamento monetário, o cenário externo apresenta sinais divergentes. A ata mais recente do Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, revelou que as autoridades americanas continuam preocupadas com riscos inflacionários e avaliam a possibilidade de aumentar as taxas de juros em seu país. Essa dinâmica global de tensões contrasta com o alívio observado nos indicadores econômicos brasileiros nesta sexta-feira.
