O índice de preços de gastos com consumo pessoal (PCE) dos EUA, principal termômetro inflacionário do Federal Reserve, acelerou em maio, sinalizando pressões persistentes sobre os preços. Segundo dados do Departamento de Comércio divulgados pelo Fox Business, o núcleo do PCE — que exclui alimentos e energia — avançou 3,4% na comparação anual, atingindo o maior nível desde outubro de 2023 (CNBC Economy). A expectativa do mercado era de um aumento de 4,1% no índice cheio, mas o choque nos preços de energia, impulsionado pela guerra no Irã, contribuiu para a surpresa altista.
O núcleo do PCE, que o Fed monitora de perto para ajustar sua política monetária, registrou alta mensal de 0,1% em maio, conforme a CNBC. O dado reforça a narrativa de que a inflação permanece acima da meta de 2% do banco central, reduzindo as chances de cortes de juros no curto prazo. Analistas apontam que o resultado aumenta a probabilidade de o Fed manter a taxa básica em patamares elevados por mais tempo, sustentando o dólar e pressionando ativos sensíveis a juros, como o ouro.
A reação do mercado foi imediata: o dólar (DXY) renovou máximas de 13 meses, impulsionado pela especulação de que o Fed poderá adotar um tom ainda mais duro em suas próximas reuniões (Yahoo Finance). A moeda americana acumula alta de 0,20% no dia, estendendo uma sequência de ganhos semanais. Enquanto isso, investidores reavaliam projeções para o ciclo de afrouxamento monetário, com alguns adiando expectativas de corte para o final de 2024 ou início de 2025.
O cenário inflacionário desafiador ocorre em meio a um ambiente de resiliência da economia dos EUA, com bancos demonstrando solidez nos testes de estresse do Fed. A autoridade monetária divulgou que as instituições financeiras do país suportariam perdas de até US$ 708 bilhões em um cenário adverso (CNBC Markets). Apesar disso, a inflação persistente mantém o foco do mercado na trajetória dos juros, com implicações globais para fluxos de capital e ativos de risco.
