O mercado financeiro voltou a elevar a projeção para a inflação oficial deste ano. Segundo a última pesquisa Focus do Banco Central, divulgada pela Agência Brasil, a mediana das estimativas subiu de 4,36% para 4,89%. Esse é o terceiro ajuste consecutivo para cima e coloca o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ainda mais distante do centro da meta oficial, que é 3,0% com tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.
Para o seu bolso, isso significa pressão maior sobre os preços dos alimentos, combustíveis e serviços. Com a inflação rodando acima do esperado, o Banco Central pode manter a taxa básica de juros (Selic) em patamares elevados por mais tempo, encarecendo o crédito para famílias e empresas. Financiamentos imobiliários, empréstimos pessoais e até o rotativo do cartão de crédito tendem a ficar mais caros.
A alta das expectativas inflacionárias também reforça a cautela do Comitê de Política Monetária (Copom). Na próxima reunião, marcada para os dias 7 e 8 de maio, analistas já não descartam um novo adiamento do início do ciclo de cortes da Selic, que hoje está em 10,75% ao ano. Se confirmado, o cenário prolonga o aperto monetário e freia o ritmo de recuperação da economia.
Vale lembrar que, apesar da inflação em alta, as projeções para o crescimento do PIB permanecem estáveis, segundo a mesma pesquisa Focus. Isso sugere que o mercado ainda aposta em uma atividade econômica resiliente, mas com juros mais altos e poder de compra menor para o consumidor.
