O mercado financeiro voltou a elevar a projeção para a inflação oficial deste ano. Segundo a última pesquisa Focus do Banco Central, divulgada nesta segunda-feira, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deve fechar 2024 em 4,89%, acima dos 4,36% estimados há apenas algumas semanas. O número fica bem acima do teto da meta perseguida pelo BC (4,5%) e reforça o sinal amarelo para quem planeja compras, financiamentos ou investimentos.

Para o consumidor, a alta da inflação esperada significa pressão maior no bolso. Produtos básicos como alimentos e combustíveis tendem a ficar mais caros, corroendo o poder de compra das famílias. Quem tem dívidas atreladas ao IPCA, como alguns financiamentos imobiliários, também sentirá o peso: as parcelas podem subir mais do que o esperado.

No radar do Banco Central, a inflação mais alta aumenta a chance de novos ajustes na taxa Selic. Hoje em 10,5% ao ano, os juros básicos já estão no maior patamar desde 2022, encarecendo crédito e freando a economia. Se o IPCA continuar surpreendendo para cima, analistas não descartam um novo aperto monetário, o que pode atrasar a queda dos juros prometida para os próximos meses.

A escalada das projeções inflacionárias contrasta com a estabilidade vista em outras frentes. O mercado manteve inalteradas as estimativas para o crescimento do PIB em 2024 (2,09%) e para a inflação de 2025 (3,97%). Mas, por enquanto, é o IPCA deste ano que rouba a cena — e preocupa quem depende de um orçamento apertado.