O Irã sinalizou uma nova escalada nas tensões marítimas do Golfo Pérsico ao anunciar a cobrança de taxas adicionais para navios que transitarem pelo Estreito de Hormuz. O embaixador iraniano na China, Mohammad Keshavarz-Zadeh, afirmou que embarcações de "países amigos" receberão "tratamento especial" na passagem pela via estratégica, que concentra cerca de 20% do fluxo global de petróleo. A medida ocorre apesar de objeções dos Estados Unidos, que historicamente garantem a segurança da navegação na região.
A declaração reforça a postura iraniana de desafiar a influência ocidental no estreito, uma das rotas comerciais mais críticas do mundo. O embaixador não detalhou quais nações seriam consideradas "amigas" ou os valores das novas tarifas, mas ressaltou que a decisão já está em vigor. Analistas apontam que a iniciativa pode ser interpretada como uma resposta às sanções econômicas impostas ao Irã, embora não haja confirmação oficial sobre essa motivação.
O Estreito de Hormuz tem sido palco de disputas recorrentes, com o Irã frequentemente realizando exercícios militares na área e advertindo sobre possíveis bloqueios em caso de conflitos. A presença de frotas navais ocidentais, incluindo a Quinta Frota dos EUA baseada no Bahrein, reforça a importância geopolítica da região. A cobrança de taxas, se efetivada, pode aumentar o custo logístico para exportadores de petróleo do Golfo, afetando mercados globais.
A comunidade internacional ainda não se pronunciou oficialmente sobre a medida, mas a declaração iraniana ocorre em um contexto de crescente rivalidade entre Teerã e Washington. Especialistas destacam que qualquer tentativa de restringir a livre navegação no estreito poderia desencadear reações militares, dada a sua relevância para a segurança energética mundial.
