O bolso do brasileiro segue sob forte pressão. O mercado financeiro aumentou suas previsões para a inflação, que agora deve atingir 5,04% neste ano, e passou a projetar que a taxa básica de juros, a Selic, pode chegar a 14% ao ano em 2026. A combinação explosiva de preços mais altos e juros nas alturas encarece o crédito e reduz o poder de compra das famílias, sinalizando que o alívio financeiro ainda está distante.
A alta projetada para a Selic reflete uma avaliação de que a inflação continua resistente. Embora o IPCA-15 tenha desacelerado para 0,41% em junho, ficando abaixo das projeções, o índice ainda sofre forte pressão dos alimentos, um item de peso essencial na cesta de consumo. Esse cenário de custos em elevação justifica o pessimismo dos analistas e a expectativa de que o Banco Central precise manter a política monetária restritiva por mais tempo.
Apesar do aperto monetário, a atividade econômica mostra fôlego. O Banco Central elevou sua projeção de crescimento do PIB para 2026 de 1,6% para 2%, estimativa divulgada em março no Relatório de Política Monetária. Segundo a autoridade, a atividade registrou aceleração e o mercado de trabalho manteve resiliência, impactado também por medidas de estímulo do governo. O BC também reduziu a previsão para o déficit em transações correntes.
A resistência da economia e a inflação acima do alvo mantêm o cenário de cautela. Investidores avaliaram o conjunto desses dados — como o IPCA-15 e as novas projeções do BC — com o dólar operando próximo da estabilidade. Para o consumidor, a equação é clara: o aquecimento que sustenta o PIB em 2% convive com juros mais caros e preços de prateleira que continuam corroendo o orçamento doméstico.
