O Brasil segue com os juros em patamar "elevado e bastante restritivo", nas palavras do secretário-executivo do Ministério do Planejamento, Guilherme Mello. Em meio a um cenário internacional incerto — com choques como alta do petróleo e dos fertilizantes —, a política monetária do Banco Central mantém a taxa Selic em níveis que seguram a inflação, mas também freiam o crédito e o consumo das famílias. Para o bolso do brasileiro, isso significa parcelas mais caras no cartão, financiamentos mais longos e menos dinheiro sobrando no fim do mês.
O alerta de Mello reforça que os próximos movimentos dos juros dependerão da evolução externa, sem sinal claro de alívio imediato. João Luiz Braga, sócio da Encore Asset, corrobora a análise: a tese de queda dos juros segue válida, mas foi postergada. "A inflação ainda está pressionada por fatores fora do controle do Brasil, como commodities e cadeias globais", disse. Enquanto isso, a economia sente o peso: empresas adiam investimentos, e o consumidor segura gastos maiores.
No mercado financeiro, a cautela domina. O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, despencou mais de 2% nesta quarta-feira (3), voltando ao menor nível desde janeiro. Analistas atribuem a queda à realização de lucros, à cautela com o exterior e ao esvaziamento de posições antes do feriado. A instabilidade reflete a ansiedade dos investidores com a demora na redução dos juros, que poderia destravar a economia.
A perspectiva de superávit fiscal a partir de 2027, mencionada por Mello, não ameniza o cenário atual. Mesmo com a melhora das contas públicas, a taxa de juros alta continua sendo uma âncora para o crescimento. Para o governo, o desafio é equilibrar a necessidade de controlar a inflação com o impacto recessivo de uma política monetária restritiva — sem data para afrouxar.
