O mercado de juros futuros deu um passo atrás na sessão desta segunda-feira, 16 de junho de 2026. A curva de Depósito Interfinanceiro (DI) encerrou o dia em alta nos principais vértices, quebrando uma sequência de quatro fechamentos consecutivos de queda — sinal de que o alívio recente tinha prazo de validade.
O contrato de DI para janeiro de 2027, referência de curtíssimo prazo e termômetro das apostas para a Selic nos próximos meses, subiu de 14,240% para 14,255%, segundo o Money Times. A variação de 1,5 ponto-base pode parecer marginal, mas representa uma reversão de tendência em um mercado que vinha calibrando para baixo o prêmio de risco embutido na curva.
O gatilho da alta foi duplo: o mercado aguarda, simultaneamente, decisões de política monetária nos Estados Unidos e no Brasil. A combinação de dois bancos centrais de peso no calendário cria um ambiente naturalmente cauteloso, em que os agentes preferem reduzir posições a manter apostas direcionais. O título da própria fonte indica que o mercado precifica corte da Selic para 14,25% — o que, paradoxalmente, não impediu a alta dos DIs: expectativa de corte e elevação de taxa futura convivem quando há dúvida sobre o ritmo e a magnitude do afrouxamento.
Do ponto de vista do contribuinte e do setor produtivo, cada décimo de ponto percentual a mais na curva de juros encarece o crédito, comprime margens e eleva o custo de rolagem da dívida pública. Um ambiente de dupla incerteza — Copom e Fed — não é neutro: ele posterga decisões de investimento e mantém o custo do capital brasileiro entre os mais elevados do mundo, mesmo em momento de provável redução da taxa básica.
A interrupção da queda consecutiva reforça um padrão recorrente na curva brasileira: avanços graduais, rapidamente testados por qualquer ruído externo. Enquanto o Fed não sinalizar sua trajetória com mais clareza, e enquanto o Copom não entregar — e balizar — o próximo ciclo, o mercado tende a embutir prêmio de precaução. A sessão desta segunda é um lembrete de que quatro dias de alívio não equivalem a uma mudança de regime.
