Os mercados brasileiros fecharam a semana sob forte pressão nos juros e na cotação do dólar, refletindo a ausência de referências externas e a cautela com a política monetária local. Sem o pregão dos Estados Unidos devido ao feriado de Juneteenth, a curva de juros futores estendeu a alta pelo terceiro pregão consecutivo. Os juros intermediários e longos subiram quase 20 pontos-base, enquanto o Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 fechou a 14,255%, leve alta de 2 pontos-base em relação ao fechamento anterior.

A moeda americana também sentiu o impacto da baixa liquidez e da incerteza local. Embora o dólar à vista tenha recuado nesta sexta-feira, devolvendo parte dos ganhos da sessão anterior, a divisa acumulou alta de 2% ante o real no fechamento da semana. O movimento diário de queda foi insuficiente para reverter a valorização semanal, com investidores ainda repercutindo o comunicado considerado "difuso" da última reunião do Copom e à espera da ata, que deve trazer mais detalhes sobre a decisão da Selic.

Na Bolsa, o Ibovespa ensaiou uma reação após cinco pregões de perdas, mas operou sem direção definida em dia de vencimento de opções sobre ações. O principal índice da B3 fechou praticamente estável, com alta de 0,03%, aos 168.333 pontos. No acumulado da semana, porém, as ações amargaram uma queda de 1,64%.

A disputa por espaço na política econômica também marcou a semana. Enquanto o economista Durigan afirmou que há espaço para corte de juros, o Banco Central voltou a alertar sobre os riscos dos estímulos fiscais. O ministro da Fazenda, por sua vez, defendeu que as novas linhas de crédito não pressionam a economia. Para especialistas, embora o programa governamental seja bem desenhado, a falta de visão de longo prazo e de investimento em produtividade em setores-chave permanece como obstáculo em um cenário de juros altos.

A pressão sobre o governo não vem apenas da política macroeconômica, mas também de setores específicos da indústria. A Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) aumentou a pressão contra a isenção fiscal para carros elétricos importados, contrariando diretamente o pedido da fabricante chinesa BYD. O impasse coloca em pauta o peso de incentivos setoriais sobre as contas públicas em um momento em que o mercado exige sinalização fiscal mais firme.