O Brasil segue sob o peso de uma das taxas de juros mais altas do mundo. O Comitê de Política Monetária (Copom) manteve a Selic em 15% e evitou indicar o início de cortes na taxa básica. Para a Confederação Nacional da Indústria (CNI), essa decisão sufoca a economia e isola o país no contexto internacional de juros reais, freando investimentos e o crescimento produtivo.
O motivo central para o endurecimento do Banco Central é a piora no cenário inflacionário. O mercado financeiro elevou sua previsão para a inflação deste ano para 4,71%. Para 2026, a projeção se mantém em patamar ainda mais distante do alvo, fixada em 5,33%. Com a inflação pressionada, o banco Citi abandonou a previsão de novos cortes na Selic, afirmando que "não vemos espaço" para flexibilização monetária diante do cenário atual.
Na ponta do consumidor, a combinação de juros altos e inflação teimosa traduz-se em crédito mais caro e escasso. Um exemplo direto é o teto de juros de 1,99% ao mês proposto pelo governo para o consignado CLT com garantia. Instituições financeiras alertam que o limite pode ficar só no papel, pois não cobre o custo da linha para trabalhadores de mais baixa renda, somando-se a problemas operacionais que dificultam a execução das garantias.
Assim, enquanto a inflação não ceder de forma consistente, a política monetária permanece restritiva. Sem sinal de alívio na Selic e com o crédito encarecido — especialmente para quem mais precisa —, o cenário exige cautela tanto de quem tenta se financiar quanto de quem busca proteger o orçamento doméstico da alta de preços.
