Washington, 22 de maio de 2026 — Kevin Warsh foi empossado nesta sexta-feira como o 17º presidente do Federal Reserve, em cerimônia realizada na Casa Branca. Ao prestar juramento, Warsh classificou o retorno ao serviço público como "a honra de uma vida" e sinalizou que conduzirá um Fed de perfil "orientado a reformas".

O presidente Donald Trump, cujas críticas ao banco central levantaram dúvidas sobre a independência da instituição, adotou tom conciliatório na cerimônia. "Faça o que achar certo e faça um ótimo trabalho", disse Trump a Warsh, declaração que analistas interpretaram como recuo retórico frente às pressões institucionais.

O mercado, porém, não aguarda com tranquilidade. Analistas de Societe Generale Americas, Franklin Templeton e Capital Group participaram de debate na Bloomberg sobre os desdobramentos da troca de comando. A discussão central: o chamado "maldição do novo presidente do Fed" — padrão histórico em que períodos de turbulência nos mercados coincidem com a chegada de novos líderes ao banco central.

Warsh herda o cargo em momento de pressão dupla: a ameaça do petróleo acima de US$ 100 o barril, que alimenta inflação, e a fragilidade de um mercado acionário em alta que pode não suportar aperto monetário. A escolha entre conter a demanda ou preservar o rali coloca o novo chairman diante de um dilema sem resposta fácil — e sem a proteção do tempo que presidentes anteriores tiveram para se estabelecer.