Existe uma expressão que resume um dos maiores obstáculos à competitividade nacional: o custo Brasil. Dentro dele, poucos componentes pesam tanto quanto a logística. Mover uma mercadoria do produtor ao porto, ou ao consumidor, custa no Brasil uma fração do preço final maior do que custaria em economias mais bem estruturadas. Esse sobrecusto é silencioso, mas está em tudo — e quem o paga, no fim, é o consumidor e o exportador.

A primeira causa é o desequilíbrio da matriz de transporte. O Brasil é um país de dimensões continentais que move carga predominantemente por rodovia. Caminhão é flexível e indispensável para a ponta, mas é o modal mais caro por tonelada-quilômetro para longas distâncias. Mover grãos por milhares de quilômetros sobre rodas, quando ferrovia ou hidrovia fariam o mesmo trajeto por uma fração do custo, é uma ineficiência estrutural que penaliza justamente os setores em que o país é mais competitivo.

A segunda causa é o estado da infraestrutura existente. Rodovias mal conservadas elevam o custo de manutenção de frota, o consumo de combustível e o tempo de viagem. Portos com baixa produtividade geram filas de navios — e tempo de espera é dinheiro, embutido no frete. Gargalos de acesso, burocracia aduaneira lenta e falta de integração entre modais somam atrito a cada etapa. Cada hora perdida na cadeia logística é custo que reaparece no preço.

A terceira é a previsibilidade do investimento. Infraestrutura logística — ferrovia, porto, hidrovia — exige capital paciente, com retorno em horizonte longo. Esse capital só aparece onde as regras são estáveis e os contratos, respeitados. Insegurança regulatória e renegociação recorrente afastam exatamente o investidor de longo prazo que o setor precisa, e empurram o país para a dependência do orçamento público, que não dá conta.

A correção é conhecida e não é ideológica. Equilibrar a matriz de transporte, investindo em modais mais baratos para longas distâncias. Atrair capital privado para portos e ferrovias por meio de concessões bem reguladas. Digitalizar e desburocratizar processos aduaneiros, onde o ganho é quase gratuito. Garantir estabilidade contratual, para que o investidor de longo prazo apareça.

Reduzir o custo logístico não é tema técnico de nicho: é uma das alavancas mais poderosas de competitividade disponíveis ao Brasil. Cada ponto percentual de frete economizado se espalha por toda a economia — barateia o alimento na mesa, melhora a margem do produtor, torna a exportação mais competitiva. Mover bens de forma mais barata é, em essência, tornar o país inteiro mais produtivo.