O presidente Luiz Inácio Lula da Silva escalou o tom contra Donald Trump na quarta-feira, 17, classificando o presidente americano como alguém que "continua agindo como imperador" — linguagem que, em qualquer outro contexto diplomático, seria considerada ruptura protocolar de primeira ordem. As declarações foram dadas durante coletiva de imprensa em Genebra, na Suíça, onde Lula fez um balanço de sua participação como convidado da cúpula do G7, realizada em Évian-les-Bains, na França, segundo a Revista Oeste e a Agência Brasil.
O gatilho imediato foi o que a Agência Brasil denominou "novo tarifaço" — uma nova rodada de tarifas impostas por Washington ao Brasil. Lula qualificou a medida de "coisa desaforada" e deixou claro que considera a postura americana incompatível com os padrões de uma relação bilateral equilibrada. Não houve, nas declarações reportadas, detalhamento do impacto econômico concreto das tarifas sobre exportadores ou sobre o consumidor brasileiro.
No mesmo palanque retórico, Lula voltou ao terreno eleitoral. Segundo a Revista Oeste, afirmou que Trump tem o direito de manifestar preferência ideológica, mas que o presidente americano não deve se "meter" nas eleições brasileiras. O argumento da soberania nacional tem efeito garantido no debate doméstico — mas sua força é inversamente proporcional à disposição de buscar canais diretos de diálogo.
E é justamente aí que reside o dado mais revelador da coletiva: Lula admitiu não ter solicitado uma reunião com Trump. Dirigir-se publicamente a um parceiro comercial estratégico como "imperador" enquanto se omite de pedir um encontro bilateral expõe a tensão entre performance retórica e estratégia real. A hostilidade verbal raramente melhora termos de troca — e o custo de tarifas americanas sobre a balança comercial brasileira não se resolve em coletivas de imprensa em Genebra.
Para Brasília, o confronto simbólico com Washington pode render dividendos eleitorais internos. Para o exportador brasileiro, o que conta são as alíquotas — e sobre essas, o silêncio do presidente foi mais eloquente do que os adjetivos.
